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Há 40 anos, quando Liane Collares era criança, a maioria das escolas regulares não aceitava portadores da síndrome de Down em suas classes. Na contra-corrente, ela cursou uma escola pública comum. Também não havia fonoaudiólogas especializadas para ajudá-la a falar com mais fluência e a superar suas dificuldades de expressão. Mas ela tem uma bela dicção graças às aulas de declamação e canto que teve quando menina. Os portadores da síndrome também não participavam de peças de teatro, concursos de natação, danças de salão e muito menos davam palestras em congressos e escreviam livros sobre sua condição, algumas de suas atividades atuais. Com coragem – e apoio incondicional dos pais, o bancário Edison Collares e a dona-de-casa Marilei –, Liane abriu o caminho para milhares de crianças, adolescentes e adultos como ela. E o mais bonito de sua história, contada no livro Liane, Mulher como Todas, é que, apesar do preconceito, muitas pessoas acreditaram no seu talento e capacidade. Gente que ofereceu oportunidades de trabalho ou dedicou seu tempo para ensiná-la a falar, escrever e atuar. “Se conhecesse anteriormente tudo o que ela é capaz de fazer, não desperdiçaria tantas lágrimas ao saber que minha filha tem a síndrome de Down”, diz Patrícia Almeida, integrante de um grupo virtual que congrega amigos e familiares de crianças com a síndrome. Hoje o sonho de Liane é receber um convite para trabalhar como recepcionista em eventos e ser atriz na televisão. “É o desejo de muitas mulheres. E eu, entre elas”, afirma, com orgulho.
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